sábado, 13 de abril de 2013

Como superar um trauma

Publicado em 10/04/2013

Reportagem: Vicente Cardoso Jr. / Edição: MdeMulher



Presenciar uma tragédia, ser vítima de um acidente ou de violência são situações que despertam um turbilhão de emoções para o qual não estamos preparados. "O trauma é uma desorganização interna da pessoa. Ela sente que sofreu uma ameaça tão grande que é impossível não se colocar naquela situação constantemente", afirma a psicóloga Cláudia Maria Sodré. Ela atuou no apoio psicológico aos sobreviventes e familiares das vítimas da tragédia na boate Kiss, em Santa Maria, na qual 240 pessoas morreram. "As atitudes costumam ser paradoxais: às vezes, a pessoa fica totalmente inerte; em outras, irrita-se com qualquer coisa. Criar pequenos conflitos é uma forma de manter longe as memórias ruins", explica a psicóloga.


Reações excessivas


"É normal reagir com choro, raiva e medo. Mas, se esse estado não regride, é provável que esteja se desenvolvendo uma doença psicológica", afirma o psicólogo Eduardo Guimarães, pesquisador do Rio Grande do Sul. Distanciamento social, alteração da consciência, reviver constantemente os fatos e hipervigilância são alguns dos sintomas de uma reação desmedida. Se ela ocorre só no primeiro mês, o diagnóstico é de transtorno do estresse agudo. Quando passa desse período, configura-se o transtorno do estresse pós-traumático. "Algumas pessoas têm uma reação intensa e em poucos dias se recuperam. Outras parecem encarar tudo tranquilamente, mas manifestam um quadro exagerado seis meses, um ano depois", explica Eduardo.


Violência urbana


Diferentemente de casos como o de Santa Maria, em que a necessidade de apoio psicológico é percebida de imediato, em situações vividas individualmente é mais comum negar o trauma. "Nos casos de violência urbana, a pessoa entende que precisa mesmo conviver com aquilo e pronto. Muitas vezes, só vai buscar ajuda quando as consequências do trauma, como insônia e medo de sair de casa, se tornam insuportáveis", explica a psicóloga Cláudia Maria Sodré.


Em psicologia, o conceito de resiliência indica a capacidade de superar adversidades e encontrar uma nova estabilidade, o que pode ser mais fácil para algumas pessoas - que até conseguem crescer a partir de uma situação traumática. O importante é saber que um choque emocional nunca deve ser uma condição permanente. "Mesmo quem reúne sintomas mais graves de estresse pode se livrar, se não de todos, pelo menos da maioria deles", afirma Eduardo Guimarães.


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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Os benefícios que o banho quente pode te proporcionar

 


Você vive correndo. Correndo e se dividindo. Pensa nos filhos quando está no trabalho. Lembra que precisa fazer supermercado quando está com os filhos. Planeja um jantar romântico quando está no supermercado. E nunca pára. E está sempre pensando. Mas, quando você entra no chuveiro, vai para um mundo particular e silencioso. Experimenta um momento só seu (muitas vezes o único do dia!). E é assim com quase todas nós.


Veja a seguir o que uma boa chuveirada pode fazer por você.


Esponja e sabonete na mão e, de repente, uma ideia brilhante na cabeça. Não estranhe, esse é um dos efeitos colaterais de uma boa chuveirada. Nela, você relaxa e há uma desaceleração da frequência cerebral, as ondas mentais ficam mais suaves, próximas ao conhecido estado alfa. ?Quando isso acontece, você sai de uma situação de alerta e abre para diferentes estados de consciência, promovendo novas percepções e muitas vezes soluções para problemas?, explica Julio Peres, psicólogo clínico e doutor em neurociências e comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). ?É um efeito semelhante ao da meditação com a vantagem de que, com ou sem tempo, as pessoas acabam tomando banho todos os dias. O mesmo não acontece com a meditação?, diz o neurocientista. Quando as coisas parecerem sem saída, entre no chuveiro sem culpa, é por uma boa causa. Mas, para ter efeito, não adianta ligá-lo e esperar cair uma idéia com as gotas de água. O segredo é relaxar, esquecer do seu dia e deixar os pensamentos fluírem ? só assim as novas conexões aparecem.


Você não precisa criar um ritual especial para desfrutar todos os benefícios do banho. ?Uma chuveirada por si só já tem função terapêutica. A água caindo massageia o seu corpo mesmo que você não perceba?, explica Roberto Nogueira, fisiologista em São Paulo. Mas, se você quiser aproveitar seus minutos dentro do boxe, pode alternar água quente e fria, numa combinação que se chama banho contrastado, como ensina o fisiologista. ?Comece com uma ducha quente. Vá aos poucos esfriando a água, e sinta essa mudança gradual com o próprio corpo, principalmente com as extremidades. Fique três minutos em cada temperatura. Esse procedimento acelera a circulação, porque faz os vasos se expandirem e contraírem e estimula o sistema linfático. Quando desliga o chuveiro, você se sente mais leve, purificada e revigorada?, garante. Aqui vale um lembrete: reserve esse método para dias especiais a fim de não gastar muita água.


Quem nunca foi para o banheiro preocupada e saiu com um humor completamente diferente? ?Um banho quentinho remete à proteção do útero materno ? o momento em que nos sentíamos protegidas e acolhidas. É como se voltasse na sua mente a lembrança de um momento de paz?, explica Suzy Camacho, psicóloga de São Paulo. ?Além disso, essa sensação gostosa gera no cérebro a liberação de uma série de substâncias que acalmam.? Para esse momento ser ainda mais relaxante, experimente pingar três gotas de óleo essencial de lavanda no chão do boxe, antes de ligar o chuveiro. ?Quando a água começar a cair, vai fazer uma espécie de infusão, você inala o perfume e começa a sentir os benefícios?, diz Samia Malouf, psicóloga e aromaterapeuta, de São Paulo. Se você estiver se sentindo estafada, pingue óleo essencial de alecrim. Caso esteja tristinha, prefira o de laranja, que dá alegria e bem-estar, de acordo com a aromaterapeuta.

Os comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.


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Brotas: o recanto aventureiro

 


Imagine que você está presa a um cabo de aço prestes a deslizar por uma cachoeira de 60 metros de altura. Ou que vai descer uma queda-d?água somente com uma corda amarrada na cintura... Em Brotas, uma das cidades do interior de São Paulo pioneiras em esportes de aventura, a adrenalina é constante. Mas o lugar não é reduto apenas da turma radical. Hoje, é fácil encontrar pais e filhos com as roupas sujas de lama depois de uma atividade nas cachoeiras e nos rios da região.


Diversões preferidas pelos turistas: curtir as corredeiras do Rio Jacaré- Pepira em cima de uma boia ou percorrer uma trilha até chegar a uma piscina natural. Para repor as energias, não faltam deliciosos bufês com comida sertaneja, além de muita rapadura, doce de leite e queijo curado, que compõem o cardápio típico da cidade.


Onde ficar


Pousada Villa do Conde
A estrutura simples e caseira é compensada por quartos arejados e uma ótima localicação: a pousada fica no rua dos restaurantes e bares mais famosos, e também próxima das agências de turismo. 14/ 3653-1133, villadoconde.com.br.


Pousada das Nascentes
A maioria das cachoeiras da cidade estão a até nove quilômetros da pousada. Para chegar até as quedas- d'água não é preciso contratar guia, mas é necesário pagar entrada. 14/ 3653-6133, pousadadasnascentes.com.br.


Pousada do Lago
Jovens e casais povoam a surpreendente área de lazer desta pousada, com quadra de tênis, sauna, boa hidro e piscina, em um gostoso solário com espreguiçadeiras. A maioria das acomodações tem ar-condicionado silencioso e cama-box, e algumas também exibem TV de LCD e DVD. 14/ 3653-5797, pousadadolago.com.


Onde comer


Brotas Bar
Av. Mário Pinotti, 267 (Centro), 14/3653-9930. Cc: A, D, E, M, V; Cd: M, R, V. 2ª/5ª 17h30/23h30, 6ª 17h30/1h, sáb 11h45/1h, dom 11h45/0h. Variada. Caiaques, capacetes e outros apetrechos ligados à prática de rafting decoram o casarão ? há até um bote adaptado como mesa. Pizzas, grelhados e copos de chope circulam pelo salão. A paleta de cordeiro que leva o nome da casa é servida com molho à base de pimenta verde, risoto de açafrão e couve frita.


A Favorita
Av. Rui Barbosa, 56-A (Centro), 14/3653-4807. Cc: M, V; Cd: M, R, V. 4ª/dom 19h/0h. Pizza. A simplicidade do ambiente destoa do esmero no preparo das pizzas. Os discos de massa, de espessura entre média e grossa, recebem coberturas tradicionais e outras mais criativas. A pizza domingueira leva linguiça de churrasco, cebola, Catupiry, parmesão e molho de tomate.


Vicino della Nonna
Av. Mário Pinotti, 455 (Centro), 14/3653-1052. Cc: A, D, M, V; Cd: M, R, V. 5ª/sáb 19h/0h, dom 12h/15h e 19h30/23h. Italiana. A avó do proprietário morava ao lado, daí o nome da casa. Fotos de família (e do filme O Poderoso Chefão) decoram as paredes do restaurante, com jardim e salão envidraçado. Da cozinha, o forte são as massas e os risotos, como o de funghi e gorgonzola. Destaque ainda para a boa mesa de antepastos.


O que fazer


Tavolaro (Compras)
Fornece laticínios para boa parte das pousadas e restaurantes de Brotas. Aqui você encontra queijos como o tradicional meia-cura cremoso, além de provolone, gorgonzola, ricota e manteiga. O local também funciona como restaurante, e um dos sanduíches mais pedidos é o de linguiça com queijo e rúcula. SP-225 p/ Jaú, km 144, 12 km, 14/ 3653-2166.


Casa da Cachaça (Compras)
A atração principal é a cachaça Rasteirinha, envelhecida em carvalho (há garrafas de 1996 a 2002) ? mas ela é apenas uma entre as dezenas de cachaças da casa e da região. Entre as comidinhas, doces caseiros de frutas, geleias, biscoitos e embutidos. Enquanto visita a casa, você pode experimentar alguns doces, o salame apimentado e o queijo cremoso, acompanhados por um café coado na hora. Pça. Benedito Calixto, 221 (Centro), 14/ 3653-2273.


Xique-Xique (Compras)
A charmosa portinha no meio do buxixo de Brotas esconde o lugar, que vende mimos de todo tipo. Peças de cerâmica bem coloridas, enfeites de parede e móbiles de papel marchê encantam, assim como as roupas, bolsas e acessórios feitos com patchwork. Av. Mário Pinotti, 429 (Centro), 14/ 3653-5335.


Cachoeiras


A cidade aproveita bem o potencial da região, privilegiada pela grande quantidade de cachoeiras. A maioria fica no bairro Patrimônio, a 23 km do Centro, com trechos de terra, mas acesso tranquilo para carros de passeio. As propriedades são particulares: é preciso pagar entrada, e muitos lugares têm banheiros, lanchonete e até restaurante e camping. O Recanto da Cachoreira, o Sitio Três Quedas e o parque Aventurah investiram em estruturas para receber crianças, idosos e portadores de necessidades especiais. E o público mais aventureiro encontra diversão de sobra na cachoeira do Saltão e nos raftings no Rio Jacaré-Pepira.


Cachoeira do Cassorova (60 m)
A exuberante queda de dois níveis fica em um vale cercado de mata densa. O acesso é tranquilo: apenas dez minutos de descida por escadaria íngreme. Agências operam canyoning aqui (leia em Turismo de Aventura). Da mesma fazenda parte uma trilha para a Cachoeira dos Quatis, mas a caminhada é mais longa do que a que começa no vizinho Sítio Sete Quedas. Antes da visita, ligue para confirmar se há alguém para guiar os passeios. Estr. p/ o Bairro do Patrimônio, 28 km (5 km de terra), 14/3653-5638. R$ 30.


Cachoeira do Saltão (75 m)
O cânion imponente e a queda d'água mais alta da região compõem um belo conjunto. Para chegar é preciso encarar uma trilha de dez minutos, com escadaria íngreme (150 degraus) e repleta de pedras escorregadias. A descida compensa, menos pelo pequeno poço para banho, mais pela vista a partir do agradável leito do rio. O mesmo ingresso permite conhecer também as quedas da Ferradura (47 m) e do Monjolinho (12 m), com acesso fácil e piscina natural convidativa, inclusive para crianças. Aos sábados e domingos, há também cascading e tirolesa, e o restaurante abre para  almoço (self-service). Rod. Ulisses Guimarães, km 23 (mun. de Itirapina), 42 km (1 km de terra), 19/3483-7314. R$ 10.


Cachoeira do Astor (26 m)
Com pouca altura, é uma das melhores da cidade para banho, formando poços refrescantes (há até uma ducha natural do lado esquerdo). O acesso é por trilha fácil de cinco minutos, com corrimão e cordas. Tito, o guia da fazenda, sempre acompanha os visitantes. Estr. p/ o Bairro do Patrimônio, 29 km (6 km de terra), 19/3481-1633. R$ 15.


Cachoeira do Martello (55 m)
O volume d'água forma boa ducha. Uma trilha de 20 minutos leva até o poço principal - com mais 15 minutos, você chega à Cachoeira Primavera (25 m), na mesma propriedade. O ingresso dá direito a nadar também na piscina da sede. Faz. Pinheirinho, 12 km (11 km de terra), 14/ 3653-1197. R$ 20.


Cachoeira dos Quatis (46 m)
A água corre em um vale fechado pela mata preservada - a bela paisagem compensa a ausência de um bom um poço para banho. Os dois acessos, pelo Sítio Sete Quedas (15 minutos) e pela sede da Cachoeira do Cassorova (20 minutos), são íngremes (vale checar as condições das trilhas antes de percorrê-las). Estr. p/ o Bairro do Patrimônio, 28 km (5 km de terra). R$ 20.


Sítio Sete Quedas
A principal atração do Sítio é a trilha de nível médio (1 km, ida e volta) que passa pelas cachoeiras dos Macacos (35 m), dos Coqueiros (18 m), Bela Vista (25 m) e outras quatro cascatas. Outro caminho leva à cachoeira dos Quatis (leia acima). Um circuito de arvorismo inclui cascading e duas tirolesas. Estr. p/ o Bairro do Patrimônio, 28 km (5 km de terra), 14/8118-1547. R$ 15.


Recanto das Cachoeiras
A boa estrutura, com lanchonete, piscina e vestiários, faz daqui um bom lugar para passar o dia em família. As cachoeiras de Santo Antônio (20 m) e da Roseira (55 m), emolduradas por rochas e com ótimos poços para banho, têm acesso por seguros deques de madeira (que facilitam a vida de pessoas com mobilidade reduzida). Há também Arvomix (leia em Arvorismo), cavalgada e a trilha da Pedra Branca (2h30), com banho em piscina natural do Rio Jacaré-Pepira. O restaurante abre apenas nos fins de semana e feriados e serve comida sertaneja. Estr. p/ o Bairro do Patrimônio, km 11 (Serra da Roseira), 16 km, 14/ 3653-4227. R$ 25.


Parque Aventurah


Como um grande clube, o parque atrai famílias, que gastam o dia entre tanta diversão. Há diversos tipos de passaportes. O VIP (R$ 50) dá passe livre para realizar oito atividades, como arvorismo, tirolesa, passeio de caiaque, arco e flecha e a curiosa acquaball (você entra numa grande bola transparente e tenta se equilibrar sobre a água). Três lagos (com toboágua e para pesca), trilha, rapel na Cachoeira Santa Eulália e campo de paintball também estão na lista de atrações - a novidade é o wakeboard puxado por cabos, ótimo para iniciantes. SP-225 p/ Jaú, km 143, 12 km, 14/ 3653-9146. R$ 15.


Rafting


É o programa clássico de Brotas. Os botes infláveis percorrem 9 km do Rio Jacaré-Pepira descendo corredeiras de níveis III e IV (em escala que vai até VI). A melhor época para a atividade (R$ 75 em média, com transporte e equipamentos) é o verão, quando chove mais e o volume de água do rio aumenta. Há variações do esporte: o KR (em caiaque menor e mais veloz, R$ 125) e o noturno (apenas em noites de lua cheia, R$ 95). O minirrafting (R$ 50), em trecho mais tranquilo do rio, pode ser praticado por crianças com mais de 1,2 m de altura na H2Omem /Terra de Aventura (3653-4700) e na Território Selvagem (3653-3248); ou acima de dois anos, na EcoAção (3653-9140), e de três, na Alaya (3653-5656).


Boia-Cross


Precursor dos esportes radicais na cidade - a aventura é descer o rio sentado numa boia. O percurso, que dura cerca de uma hora, ocorre em um trecho mais calmo do rio, com muito remanso e corredeiras de níveis I e II (R$ 45 em média). Veja agências em Rafting.


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* Conteúdo MÁXIMA/ GUIA QUATRO RODAS

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Qual seu tipo de impulsividade?

 


Quem nunca agiu sem pensar (ao menos uma vez na vida) que atire a primeira pedra.


"A impulsividade é frequente e se caracteriza pela tendência para se agir explosivamente, sem refletir e sem considerar as consequências. Ela causa uma descarga de adrenalina que pode provocar sudorese, tremores e taquicardia, além de culpa e arrependimento logo após a atitude", diz a psicóloga Josiane Candido Porto de Melo. No entanto, é bom saber que é possível lidar com essa bomba-relógio que mora dentro de você.


"Se bem direcionada, a impulsividade pode até ser benéfica e funcionar como uma força que leva adiante, que impulsiona", afirma a especialista. Por isso, é importante saber lidar e controlar atitudes impulsivas. Quer ver como? Então, confira abaixo as nossas dicas.


PODE SER DOENÇA, VIU?!


A impulsividade pode estar associada a transtornos mais sérios, como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar. Mas como saber se é o caso? Avaliando as consequências das suas atitudes. "A impulsividade pode ser sintoma de uma doença quando interfere no cotidiano e prejudica a vida da pessoa", ressalta Josiane. Se elas resultam em situações mais sérias, como separações, agressividade, infrações ou dívidas impagáveis, é hora de buscar ajuda médica.


QUAL É SEU TIPO DE IMPULSIVIDADE E COMO LIDAR COM ELA


Vê um bolo e Acaba com a dieta em segundos


Ninguém pode mandar a dieta ladeira abaixo por puro impulso. Mas dá, SIM, pra resistir ao se deparar com a apetitosa coxinha de padaria ou o bolo de brigadeiro. Como? Substitua o prazer de comer por algum outro, como ler, encontrar com o namorado, ouvir música, entrar na internet, sair com as amigas. Você precisa tirar o foco da comida! E, claro, saia de perto da tentação!


Perde a cabeça nas compras


Há uma técnica simples e eficaz para quem se descontrola ao entrar numa loja e compra o que não precisa. "Pergunte a si mesma: Estou precisando disso? Tenho como pagar pelo produto? Elas fazem você refletir antes da compra", ensina a psicóloga. E evite lugares propícios a gastos se estiver emocionalmente abalada.


Decide sem pensar e não se planeja


"Tô dentro!" é uma frase típica de pessoas impulsivas. Mas tomar decisões precipitadas, com base na emoção, impede você de realizar projetos a longo prazo. Evite isso criando cronogramas com objetivos e datas para cumpri-los. Pregue essa folha na geladeira para inspirá-la a seguir em frente. "Para concretizar planos futuros, reflita antes de agir", ensina a especialista.


Explode no trabalho


Se você estoura ao levar bronca do chefe, fica impaciente ao fazer horas extras e apela com os colegas que têm opinião diferente da sua, a dica da especialista é apostar em atitudes que acalmam: ouça música, faça pequenos intervalos e saia pra jogar água no rosto se perceber que vai explodir. A dica vale até para quando for responder um e-mail mal-educado. "Lembre-se de que tudo o que escrever ficará documentado", diz Josiane.


Briga ao ser contrariada


Ninguém gosta de ser contrariada. Mas ter acessos de ódio e maltratar quem discordou de você prejudica (e muito) suas relações. "Os impulsivos têm de medir sempre se as reações estão condizentes com os fatos, pois viram uma bomba atômica para matar uma formiguinha", diz Josiane. Para evitar estouros assim, conte até dez, 20 ou 100 antes de agir. "Isso funciona mesmo, pois ativa a parte do cérebro responsável pelo racional", conclui.

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Os 5 passos do bem-estar

 


Sabe que atitudes podem deixar seu dia a dia muito mais prazeroso? São estas: dar utilidade ao que você tem, organizar objetos, criar um ambiente gostoso ao redor, cuidar da saúde e manter esses hábitos. É mais fácil do que parece, basta seguir a técnica oriental dos cinco esses - referência às palavras japonesas seiri, seiton, seisou, seiketsu e shitsuke. O especialista em crescimento pessoal Tom Coelho ensina como aplicá-la.


1. Senso de utilização (Seiri)


Para usufruir o poder do primeiro esse, livre-se dos objetos que não usa. "Pode ser aquela saia que ganhou ou comprou por impulso, um alimento vencido na geladeira...", diz. Isso traz uma sensação de renovação!


2. Senso de organização (Seiton)


Acomode as coisas de um jeito que faça sentido para você, facilitando a sua vida. Que tal agrupar por gênero os livros na estante e distribuir as fotos em caixas por temas (família, viagens...)? Cá entre nós, seria mesmo ótimo abrir o armário e encontrar as roupas separadas por cor.


3. Senso de zelo (Seisou)


Significa promover a harmonia em seu ambiente. Vale melhorar a iluminação, investir em objetos de decoração, colocar plantas nas janelas. Já pensou que delícia se esparramar no sofá com almofadas coloridas e sentir o perfume de flores na sala?


4. Senso de higiene (Seiketsu)


"Trate da saúde de forma preventiva", orienta Tom. Não deixe o stress acumular nem espere que uma gripe a derrube para começar a se cuidar. Assim, estará sempre bem.


5. Senso de disciplina (Shitsuke)


"Incorpore essas atitudes à sua rotina", finaliza. Começar e parar não funciona.

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Exposição retrata personagens indianos

 


Começa hoje no Shopping Cidade Jardim a exposição ?Retrato Social?, as fotos são de Regina Moraes, fundadora e presidente do Projeto Velho Amigo, e com direção artística  de Fabio Assunção

Foram 16 dias no norte da India visitando cidades como Delhi, Agra, Jaipur e Udaipur e o resultado foram 26 fotos de personagens indianos com um olhar sensível e diferente.Regina diz que as fotos foram feitas sem pretensão alguma, era apenas um hobby para ela. O grande objetivo da exposição é promover a venda das imagens e arrecadar dinheiro para o projeto social ?Retrato Social? Para quem não tiver a oportunidade de ir a exposição, as obras continuarão a venda, basta entrar em contato pelo telefone 11 3071-4040Horário: 10h às 22h (segunda a sábado) e 14h às 20h (domingo)Local: Cobertura do shopping ? 4º andar (ao lado da Reebok Sports Club)Endereço: Av. Magalhães de Castro, 12.000 ? Morumbi ? São Paulo/SPOs comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.

Bete Ortiz - A renda revertida com a venda das fotografias será revertida para o Projeto Retrato Social, que surge como um elo entre doadores e entidades idôneas do terceiro setor. - 19/03/2013 13:47:30


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Não deixe que a timidez atrapalhe sua vida

 


A mão começa a suar, as pernas tremem, o coração dispara, o rosto fica vermelho e a fala trava. Esses sintomas parecem familiar e costumam atrapalhar sua vida? "A pessoa tímida tem a atenção voltada para o próprio desempenho e se sente avaliada o tempo todo", fala a psicóloga Maria Aparecida Barbosa, especialista em timidez. Quem sofre com o excesso de vergonha costuma ser muito crítica consigo mesma e, perfeccionista, sempre acha que fez besteiras. Embora cause problemas físicos, a timidez não é doença! Até as mais extrovertidas podem ter momentos de insegurança. Saiba como driblar o problema.


As pessoas tendem a valorizar muito mais quem fala e aparece, mas você pode tirar proveito do seu jeito inibido de ser. "As pessoas tímidas são muito observadoras. Falam pouco, só que têm mais argumentos", explica a psicóloga Maria Aparecida. No best-seller O Poder dos Quietos (Ed. Agir, R$ 29,90), a autora Susan Cain afirma que os introvertidos também são mais criativos e inovadores. Barack Obama, presidente dos EUA, por exemplo, é um tímido de carteirinha, sabia?
Encare seus medos


Não é fácil mas, aos poucos, tente se colocar em situações que acha desconfortáveis. Seu pesadelo é falar em público, por exemplo? Tente expor mais a sua opinião nas conversas em grupo. Quanto maior a exposição, mais a timidez enfraquece e você ganha forças para tentar outras vezes", explica a psicóloga.


Controle a ansiedade


Essa vilã causa problemas físicos que só atrapalham a vida, como taquicardia e dor de barriga. Por isso, procure relaxar. Aulas de meditação e exercícios respiratórios ajudam nessa tarefa.


Tire o foco de você


Preste mais atenção no outro. Escute e pergunte em vez de só ficar preocupada com suas reações. Essa é uma maneira de você perceber que todas as pessoas cometem falhas e aprendem a superar as situações.


Aceite os elogios


Sabemos que você não gosta de ser o centro das atenções, mas merece ser reconhecida por suas qualidades. Troque o "são seus olhos" por um "obrigada!".


Seja otimista


Pare de pensar o pior e concentre-se no que está acontecendo agora. O futuro, na maioria das vezes, não é tão catastrófico quanto você geralmente imagina.


Aprenda a ouvir "não"


É difícil lidar com a rejeição e, da mesma forma que você pode não gostar de alguém, existe a chance de a recíproca ser verdadeira. Quando se tem autoconfiança e acredita nas próprias capacidades, a aprovação dos outros não tem tanto peso", ressalta a expert.


Procure um especialista


Se a timidez estiver realmente atrapalhando sua vida, convém pedir ajuda a um psicólogo.


Ninguém é rei


Sabe o seu chefe poderoso ou aquela amiga superpopular? Lembre-se que eles também são humanos e, assim como você, têm defeitos e qualidades. Os tímidos tendem a se colocar em um patamar inferior ao das outras pessoas", esclarece a especialista. Não idealize ninguém!


Errar é humano


Ninguém é perfeito, nem você! Portanto, se falhar, não será o fim do mundo. Não olhe para o erro com uma lupa", lembra Maria Aparecida.

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Faça as escolhas certas sem sentir culpa

 


Em menos de 100 anos, conquistamos direitos básicos, como poder votar. Entramos em massa no mercado de trabalho e nas universidades. E usamos a pílula anticoncepcional para planejar o tamanho da nossa família: a média de filhos dos casais brasileiros caiu de 6,16 filhos, em 1940, para 1,9 nos dias de hoje, segundo dados do IBGE. Tudo isso dizendo assim: "No trabalho, asseguramos aos patrões que seremos tão disponíveis quanto os homens. Em casa, garantimos aos maridos que nada mudará e que nem perceberão que agora temos horários, viagens, contas a prestar a um patrão", como coloca a advogada e jornalista Rosiska Darcy de Oliveira (RJ) em seu livro Reengenharia do Tempo (Rocco). Ou seja, estabelecendo uma perfeição inatingível. E ainda falta fazer muito: no Senado, há apenas dez representantes do sexo feminino contra 71 do masculino. Na Câmara Federal, dos 513 deputados eleitos, 45 são mulheres. No cargo de presidente, as brasileiras são apenas 11% nas grandes empresas**. Ganhamos menos para atuar na mesma função que um colega homem. Fato: como gênero precisamos ocupar todos os espaços e trabalhar pela igualdade. Mas, como indivíduos, está na hora de nos permitirmos fazer escolhas para ganhar qualidade de vida. Aqui, pontos para pensarmos:


Um padrão estético baseado no ideal irreal de modelos e celebridades está entre as maiores cobranças vivenciadas pela mulher moderna. "Um pouco disso se deve ao capitalismo, que afirma que precisamos seguir estereótipos, que muitas vezes não correspondem às nossas condições físicas e até financeiras", diz a socióloga Jolúzia Batista. Mirian Goldenberg, que estuda a mulher há 25 anos, explica que diferentemente de outras nações, no Brasil, o corpo feminino é um capital valorizado ao extremo. "Os homens e as mulheres de outros países, como a Alemanha, valorizam mais outras aptidões (poder, charme, talento). Se formos compará-las com a beleza, fica claro que ela é o bem mais frágil, afinal, sofre a interferência constante do passar dos anos", diz Mirian. O desafio, segundo ela, é cada pessoa cultivar um olhar mais individualizado e carinhoso sobre si mesma e aceitar cada fase da vida e os seus encantos. Esse despertar já está acontecendo. Um estudo publicado no periódico Proceedings of National Academy of Sciences apontou que o sentimento de felicidade se eleva gradualmente a partir dos 50 anos. Isso graças à diminuição dos fatores desencadeantes de stress e preocupações. Mais livre, a mulher madura vive uma rotina agitada, produtiva e usa o seu tempo para fazer novas descobertas. "Nunca envelhecemos com tanta saúde e possibilidades. O que falta para algumas mulheres é se desligar dos padrões estéticos e se permitir ser quem são", finaliza Mirian.


"Definiu-se como igualitário um mundo em que as mulheres teriam "apenas" que continuar a fazer o que sempre fizeram, adicionando à vida delas afazeres até então reservados aos homens", resume Rosiska Darcy de Oliveira (RJ) sobre a armadilha em que caímos, a de uma definição capenga de igualdade. O fato é que não dá para trabalhar em período integral, participar de todas as atividades dos filhos, cuidar dos pais idosos, dar atenção ao marido, frequentar a academia... tudo isso nas 24 horas de cada dia. "Os passos que a mulher deu em direção ao que desejava tiveram um preço alto. Parte da cobrança vem de nós mesmas, que ainda achamos que devemos cuidar da vida privada com a perfeição que nossas mães e avós cuidavam, apesar das novas atribuições. Outra parcela se deve ao mundo, que ainda é machista", opina a coach executiva Bruna Gasgon, autora do livro As Equilibristas (Ed. Jardim dos Livros). "É como se muitos homens pensassem: ?Vocês quiseram a mudança, agora aguentem?." Para Rosiska, é imprescindível as empresas compreenderem que, assim como a mulher mudou, a sociedade e seu sistema de trabalho também precisam de alterações. E isso é possível graças aos avanços tecnológicos, que nos permitem maior produtividade em menor tempo e sem a necessidade de estar em determinado lugar. A autora defende a revisão da jornada, a flexibilização dos horários e dos locais de trabalho. "Tais mudanças deveriam ser disponibilizadas a todos: homens e mulheres, que se dividiriam também nas tarefas do cotidiano", acrescenta Bruna. A coach diz mais: "A educação precisa acompanhar o processo, ensinando meninos e meninas a compartilharem tarefas. Se todos assumirmos nossa parte diante das responsabilidades, as coisas podem melhorar muito".


Para entrar num universo que antes pertencia aos homens, a mulher teve que se esforçar e mostrar o seu valor. Para isso, não mediu esforços. A prova é que já somos a maioria da população brasileira com formação superior: 12% contra 10% da ala masculina, segundo dados do relatório Education at a Glance, publicado no ano passado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas não parece ser suficiente. A instituição, formada majoritariamente por nações europeias, trouxe outro dado que mostra um descompasso na teoria da igualdade: as taxas de emprego das mulheres são menores que as dos homens, sem exceção, em todos os países participantes da pesquisa. "Ou podemos nos disponibilizar menos a elas, por causa de outras responsabilidades, como a criação dos filhos. Por isso, é tão importante que se cobre a criação de creches e escolas de qualidade", diz Jolúzia. Há outros motivos para indignação: embora mais preparadas e ocupando os mesmos cargos que eles, ainda ganhamos menos. Segundo o IBGE, em 2011 o rendimento médio dos homens era de R$ 1857,60, enquanto as mulheres brasileiras ganharam cerca de R$ 1343,81. "É um erro do mercado enxergar que a renda da mulher é menos importante ou complementar. Pesquisas mostram que muitas de nós somos chefes de família. Minha sugestão é que todas as mulheres que vivem esse tipo de discriminação busquem auxílio dos órgãos responsáveis, como os sindicatos, por exemplo", diz a socióloga. Mas, antes de tudo, é preciso olhar para dentro si mesma e identificar suas prioridades. "Muitas mulheres têm remuneração menor por preferirem cargos nos quais têm mais flexibilidade e, assim, mais tempo com a família. Não há problema nisso! A liberdade de escolha existe e deve ser feita sem culpa", pondera a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


A cada duas horas uma mulher é morta no Brasil. O dado, do Mapa da Violência de 2012, comparou 87 países e constatou: dentre eles, somos o 7º que mais mata mulheres. O Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) aponta ainda que a cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem no Brasil. Isso sem falar de outros tipos de agressão, como a sexual, a psicológica e a moral. "A maior parte dessa violência ocorre dentro de casa e por parte dos parceiros, pais, padrastos... Em pleno século 21, vivemos uma realidade em que muitos homens ainda acham que têm direito sobre o corpo das mulheres da sua família. E, mais do que isso, que têm direito sobre a vida delas", diz Jolúzia Batista (DF), socióloga do Cfemea. A advogada e procuradora de justiça Luíza Eluf (SP) concorda e salienta que a violência contra a mulher sempre existiu em números assustadores. O que mudou é que hoje ela não é mais vista como algo "natural" e que deve ser resolvida dentro de casa, sem intromissão, como no passado. "Foram criadas políticas públicas para proteger a mulher, como a Lei Maria da Penha, que pune agressores do ambiente doméstico ou familiar. Além disso, a mulher está mais ciente dos seus direitos. Só que muitos homens reagem a isso de forma ainda mais raivosa e violenta", diz Luíza. Para que os índices diminuam, a especialista só vê uma saída: denúncia e união. "A mulher não deve permitir que essas situações fiquem no anonimato. Além disso, sugiro que sejamos mais unidas. Juntas, somos mais fortes", garante. É importante lembrar que qualquer pessoa pode fazer a denúncia para ajudar a reverter o quadro de violên­cia, já que na maioria das vezes a vítima se cala com medo das ameaças por parte do agressor e da pressão psicológica e econômica.


** Segundo Pesquisa do Wef (Fórum Econômico Mundial, na sigla em inglês)

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A síndrome do parque de diversões




Quando eu tinha uns três ou quatro anos, minha mãe me levou pela primeira vez a um parque de diversões. Não era lá um grande parque, mas supõe-se que as crianças têm essa vantagem de ser imaginativas e de se contentar com bobagens. Na verdade, as adultas também. Vira e mexe vejo amiga contando que conheceu um cara ótimo, que esperou um táxi com ela na rua e até mandou mensagem no dia seguinte. Daquelas criptografadas, do tipo ?bom t v, bj p vc?. Quer dizer, o cara não se dá nem ao trabalho de escrever a palavra inteira, o que que custa escrever a palavra inteira?! É o nosso primeiro encontro, inferno, escreva a droga da palavra inteira!


  De todo modo, minha mãe conta que nunca esqueceu minha reação quando fui àquele parque. Ela diz que durante o passeio todo, eu estava sempre olhando para o próximo brinquedo, nunca para o brinquedo em que a gente estava. Como se eu estivesse o tempo inteiro buscando algo de fora, algo distante. Como se eu fosse incapaz de aproveitar o que estava bem ali, diante dos meus olhos, naquele momento. Ok, ela não disse isso. Mas me fez pensar. 

  Quando saí da casa da minha mãe e fui para o meu primeiro apartamento, tudo era novo e empolgante. Móveis para comprar, decoração para fazer, cortinas, tapetes, cacarecos diversos... e quando a casa finalmente ficou do jeito que eu queria, do jeito que eu sempre quis que a minha casa fosse, eu comecei a ficar inquieta. Passei sonhar com o meu próximo apartamento, aquele que ainda não posso bancar, com varanda, flores na varanda ? mas tem que ser aquela varanda que só se vê em filmes europeus ?, um animal de estimação, talvez um closet gigante. Ah, como seria ótimo ter um closet gigante...  E em vez de relaxar e desfrutar da minha conquista, eu resolvi olhar para o próximo brinquedo, tal como aquela garotinha de três ou quatro anos, imaginativa. A diferença é que agora, eu não me contento mais com qualquer bobagem.  Apesar de (ainda) não ter aquele closet gigante dos sonhos, nunca estive tão orgulhosa do meu guarda-roupa. Entenda que eu fui, por muitos anos, uma adolescente estranha, com roupas estranhas e nenhum talento para me produzir. Minha única referência de maquiagem era aquela Barbie da cabeça gigante, e eu lembro que quanto mais sombra azul e batom rosa eu tacava na coitada, melhor maquiadora eu me considerava.  Eu comprava revistas de moda e pensava com todas as forças que um dia queria ser como uma daquelas mulheres. A fase de querer ser igual às modelos esquálidas felizmente já passou, pois aprendi a gostar do meu corpo como ele é. Ok, mentira. Eu continuo querendo ser exatamente como aquelas modelos esquálidas, mesmo compreendendo perfeitamente a função do Photoshop. Hoje eu não me sinto mais aquela garota estranha e deslocada. Mas, ainda assim... maldito parque de diversões e a obsessão pelo próximo brinquedo. Outro dia mesmo, quase gastei meu salário inteiro comprando uma bolsa Prada. Por sorte, o banco bloqueou meu cartão de crédito, sob a alegação de que eu estava realizando uma compra fora do meu perfil. Sábio banco. Mal sabia ele das indagações que aquele procedimento padrão iria despertar em mim.  É inegável que isso tudo está ligado a uma certa tendência autodestrutiva. Não me leve a mal. Assim como você e o Will Smith, eu também estou à procura da felicidade. Mas tem dias que esse complexo do parque de diversões ataca com força. E em vez de aproveitar o meu brinquedo, eu me vejo olhando para os lados, inquieta, buscando sei lá o quê.  Quando eu odiava meu trabalho e saía todas as noites, eu reclamava que as coisas não estavam acontecendo para mim. Quando as coisas finalmente aconteceram para mim e eu me enchi de trabalho, comecei a reclamar que não tinha mais tempo de sair e conhecer caras interessantes. Quando conhecia caras interessantes e eles não queriam nada sério comigo, eu reclamava que ninguém queria nada sério comigo e que eu iria ficar sozinha pra sempre. Quando eu conheci um cara interessante que quis algo sério comigo, eu comecei a reclamar que não sobrava mais tempo pra ficar sozinha.  Por que raios isso acontece? Por que nunca estamos plenamente satisfeitos com o que temos? A inquietude é saudável até certo ponto, afinal, ter objetivos e vontades é o que nos move. Mas o que fazer quando estamos constantemente nos questionando se o que temos é realmente o melhor que podemos ter? E por que aquilo que não temos só parece melhor até o momento em que passamos a tê-lo? Como aquela bolsa Prada que eu nunca comprei. Será que na minha casa, dentro do meu guarda-roupa modesto, que não é um closet gigante dos sonhos, aquela bolsa seria tão linda, vermelha e brilhante? Provavelmente sim. A quem estou enganando, eu quero aquela bolsa agora.  Outro dia, entrei em algum tipo de crise temporária, mais conhecida como ?modo autossabotagem on?, e dispensei meu namorado, um cara legal de quem eu realmente gosto, para ir a uma festa à la solteira com os amigos. Só que os amigos também acabaram conhecendo caras legais. E eu fiquei sozinha.  A ironia da coisa é que eu passei anos ? eu disse anos ? reclamando incessantemente sobre como eu queria encontrar alguém. Não que eu tenha problemas em lidar com a minha própria companhia, muito pelo contrário. Tem noites em que tudo o que eu quero é ficar sozinha em casa, vendo filme e bebendo vinho. Mas a perspectiva da solidão eterna me assusta. E quando eu finalmente encontro alguém legal que realmente gosta de mim, eu me apavoro e me coloco numa situação patética de solidão.  Lá estava eu, absolutamente sozinha. Por opção, mas uma opção mal feita, pelos motivos errados. Eu escolhi o outro brinquedo no parque de diversões e tratei meu namorado como uma bolsa Prada esquecida no armário.  Mas eu ainda estou aprendendo. Com sorte, vou saber apreciar uma boa volta na Roda-Gigante ? apesar de achar a Roda-Gigante um brinquedo bobo e sem propósito, além de ter medo de altura. Com o tempo, a gente acaba conhecendo bem o parque que tem em volta e aprende quais são os brinquedos que valem a entrada. Sábios são meu banco e minha mãe, que enxergam muito além daquilo que eu mesma sei sobre mim.Os comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.


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HELLOO!


 


Quando eu era criança, toda esquisita e desengonçada, sonhava com duas coisas, igualmente imprescindíveis: ser paquita e ter um melhor amigo gay estilista. Felizmente eu cresci e minhas ambições se tornaram um pouquinho mais sofisticadas do que ser uma babá loira que veste uniforme de banda militar. Mas não posso negar que ainda me resta uma fagulha daquele outro sonho, o do amigo estilista.


Na minha adolescência, fiquei obcecada pelos filmes da Audrey Hepburn. Eu queria ser como ela. Bonita, moderna, estilosa, fazendo bom uso da altura ? única coisa que tínhamos em comum, além do pé gigante. Obviamente, meus óculos enormes, meu aparelho fixo e meu cabelo de gambá morto não ajudavam muito no processo. E numa idade em que a maioria das garotas sonhavam com um príncipe ? não encantado, mas encarnado no corpo do Leonardo DiCaprio ?, tudo o que eu queria era meu próprio Givenchy, estilista genial e amigo íntimo da Audrey. E em vez do cavalo branco, eu sonhava com uma arara enorme, cheia de roupas incríveis, todas feitas sob medida para mim.


Quando entrei para a faculdade de Comunicação Social, subitamente, quase todos os meus amigos eram gays. Infelizmente, nenhum deles era um estilista talentoso em busca de uma musa. Acredite, eu procurei. Mas, ainda assim, em pouco tempo, ter amigos gays ou amigos héteros passou a não fazer a menor diferença para mim.


Sinceramente, acho que já foi o tempo em que ter um melhor amigo gay tornava uma mulher heterossexual mais legal e descolada. Essa lógica chega a ser preconceituosa, se levarmos em consideração o panorama politicamente correto em que fingimos viver atualmente. Digo fingimos porque a aceitação dos gays pela sociedade me parece, por vezes, bastante hipócrita.


Tomemos como exemplo o maior ícone gay de todos os tempos deste semestre, o Crô da novela Fina Estampa. Uma espécie de mucama e esparro, que vivia para servir às extravagâncias de sua ? eu cito ? Rainha do Nilo. Não me entendam mal, acho as cenas ótimas e é inegável que o personagem tinha carisma e, por isso mesmo, caiu nas graças do povo. O que me preocupa nesse caso não é a aceitação de um personagem gay pelo público, e sim a forma como esse personagem precisou ser retratado para ser aceito.


Mas eu entendo de onde vem toda essa mitologia acerca do melhor amigo gay. Ela foi tão propagada no cinema e na TV quanto a ideia de que existe uma pessoa certa para cada um de nós e que, após uma série de peripécias e mal entendidos, os dois vão perceber que foram feitos um para outro, como num filme da Meg Ryan ou da Julia Roberts. Aliás, alguém conhece alguma boa comédia romântica gay? Opa, romântica-gay não soa bem. Rola um cacófato. Homocomédia romântica, então. Existe?


Enfim, a questão é que boa parte das comédias românticas que eu assistia na minha adolescência de óculos, aparelho e péssimos cortes de cabelo envolvia um melhor amigo gay, legal e descolado. De cara, posso citar o estilosérrimo Rupert Everett em O Casamento do meu Melhor Amigo. Dono de uma fineza única, o ?amigo gay? da Julia Roberts a ajudava na difícil tarefa de reconquistar um ex que estava prestes a se casar com a chatinha e sem sal da personagem interpretada pela Cameron Diaz.


Assisti a esse filme tantas vezes que sei algumas falas de cor. Dentre as várias cenas memoráveis desse clássico está a parte em que o Rupert Everett finge ser o noivo da Julia Roberts ? sim, porque esse é outro ponto crucial da mitologia do melhor amigo gay: fingir que é o namorado da mocinha hétero nos momentos de desespero. Eu mesma já tentei essa manobra e, sejamos francos, na prática não funciona. Mas não funciona mesmo. Especialmente quando os dois enchem a cara e acabam flertando com o mesmo sujeito, sem saber qual é a preferência dele.


Só que, na tentativa de parecer um homem heterossexual, o elegante Rupert Everett dá início a uma sequência hilária de desmunhecadas, que desencadeia naquilo que, para mim, é a apoteose da história do cinema dos melhores amigos gays. Uma mesa inteira cantando Say a Little Prayer, da Dionne Warwick. E depois todo o restaurante. Meus olhos brilham só de lembrar. Se eu não fosse hétero, eu seria muito gay.


Na TV gringa não faltam casos que corroboram essa mitologia. A minha preferida é Will and Grace ? mais um exemplo de melhor amigo gay bonitão e estiloso. É como se andar com um cara com o Will fizesse de você uma pessoa melhor que as outras. É quase como se você ganhasse um certificado de aprovação do grupo mais seleto e crítico de todos. Você passa a fazer parte de um clube exclusivo de pessoas que entendem das coisas.


E, não é por nada não, mas tem muito gay por aí que incorporou o estereótipo do ?eu sou melhor que você?. É o que eu costumo chamar de gayxorcismo. Os gayxorcistas são pessoas que se utilizam deliberadamente de todos os clichês que regem a mitologia dos gays, incluindo o amplo conhecimento em roupas, cabelo, maquiagem, sapatos, gosto musical, gosto para filmes e vocabulário. Aliás, destaque para o vocabulário. Os gayxorcistas adoram encaixar expressões em inglês no meio das frases, do nada. Tipo ?no waaay ela fez isso?. Ou ?eu não gosto dessa baranga at all?.


De certa forma, isso até inverte um pouco os papéis, colocando todo mundo em função dos gostos e vontades de um seleto homogrupo de pessoas ? hellooo indústria da moda ?, mas também reafirma todos os estereótipos que a comunidade gay tanto luta para derrubar. A mitologia do melhor amigo gay é ao mesmo tempo uma inversão do preconceito e a propagação desse mesmo preconceito.


Mas não vou me isentar do clichê da mulher moderninha com seu melhor amigo gay. Quem assiste à minha série, Adorável Psicose, sabe que um dos personagens é o ? pam pam pammm ? meu melhor amigo gay. Que é baseado em uma pessoa real que é o ? pam pam pammm ? meu melhor amigo gay. Muito embora, eu costume me referir a ele somente como meu melhor amigo. Sem o gay.


Chamar um amigo que vem a ser gay de ?amigo gay? é como sair por aí apresentando um amigo negro como ?meu amigo negro?. Ou apresentar uma amiga japonesa como ?minha amiga asiática?. É de um preconceito indescritível. Porque parte da premissa de que ser amiga de uma dita minoria torna a pessoa mais cool. E eu uso ?dita minoria? pois, convenhamos, ao menos por onde eu circulo, os gays não são nem de longe o menor grupo.


De todo modo, a mulher hétero que sai por aí chamando um amigo gay de ?meu amigo gay? é qualquer coisa, menos amiga dele. Pelo contrário, dizer isso faz a pessoa soar como um acessório. Mais ou menos assim: ?eu nunca saio de casa sem minha make básica, minha itbag, meus sapatos da estação e meu melhor amigo gay.? Nada mais cafona e fora de moda. Como diria um gayxorcista, ?suuuper 1996?.


Seja como for, nada no mundo vai me impedir de continuar sonhando com meu Givenchy. E quando nos encontrarmos, vai ser como nas comédias românticas que eu assistia na adolescência. Nós vamos ser perfeitos um para o outro. E eu serei feliz para sempre com minha arara cheia de roupas feitas sob medida para mim. 

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7 dicas para relaxar instantaneamente

Ouvir música, massagear os pés, ler um livro... Recorra a essas práticas para relaxar
Foto: Reprodução MÁXIMA

Conheça práticas que proporcionam bem-estar instantâneo e não pense duas vezes: ao menor sinal de tensão, dê ordem de despejo ao stress!

Poucas coisas tocam tão fundo na alma quanto a música. Estudos mostram que ela atravessa a parte do cérebro que funciona como um filtro racional e atinge diretamente a área das emoções. Para trazer bem-estar, basta que ela represente algo para você: tenha uma letra que expresse o que está sentindo, uma melodia que alegre o seu coração... Já alguns estilos, como a música clássica, possuem efeitos relaxantes comprovados: reduzem os batimentos cardíacos e a ansiedade. "A música equilibra os neurotransmissores responsáveis pela tranquilidade, o prazer e a calma", diz a musicoterapeuta Maristela Smith (SP). Por isso, ao menor sinal de tensão, não pense duas vezes: suba o som!

Composto de uma base de madeira e várias hastes de aço flexível, o massageador de cabeça é um ótimo investimento. "Ao encaixar o objeto e fazer movimentos suaves para cima e para baixo, você relaxa a fáscia da região - membrana que encobre toda a estrutura óssea, músculos e órgãos e, com as tensões diárias, enrijece e perde a mobilidade", esclarece a terapeuta corporal Fátima Pinsard, do Hotel Ponto de Luz (SP). Isso sem falar que as pontas do "aparelhinho" são revestidas de material macio, que proporciona uma espécie de cafuné. Bastam cinco minutinhos, de preferência no final do dia, para recobrar a calma e dar ordem de despejo ao stress.

Os pés possuem pontos reflexos que representam as várias partes do corpo. Além disso, como nos sustentam o dia todo, são alvos fáceis da tensão e do cansaço. Para revigorar a região, uma boa alternativa é recorrer à massagem. "Utilize um pedaço de bambu com aproximadamente um palmo de comprimento. De pé, apoie-se numa cadeira e pise devagar, com um pé de cada vez, rolando o bambu para a frente e para trás e forçando os dedos do pé bem abertos em direção ao chão", orienta a terapeuta Fátima Pinsard. O bambu pode ser encontrado em casas de jardinagem e paisagismo. Na falta dele, você pode usar um cabo de vassoura.

Às vezes, tudo de que precisamos para vencer um problema é desviar o foco dele, ainda que momentaneamente. Esse respiro traz a calma necessária para termos uma visão mais ampla do que está acontecendo e, assim, buscar soluções acertadas. A leitura pode ser um bom escape, pois nos transporta para diferentes cenários. E aí a escolha pessoal faz toda a diferença: tem gente que adora o frio na barriga proporcionado por uma história policial, outros preferem suspirar com um romance. Não é fã da leitura? Carregue um caderninho na bolsa e use-o como um diário. Colocar os sentimentos no papel traz mais leveza e equilíbrio para o dia a dia.

As bolinhas de fisioterapia já são antigas aliadas no combate à tensão - você pressiona com as mãos e logo se sente melhor. Mas as bolas terapêuticas chinesas, também conhecidas como bolas de Baoding - nome dado em alusão à cidade onde surgiram - são igualmente poderosas. Feitas de ferro e vendidas aos pares, elas são ocas e trazem um guizo no interior. Ao serem movimentadas, você ouve um suave tilintar. "Elas devem ser colocadas numa das mãos e giradas, uma em volta da outra, em sentido horário e anti-horário", ensina o terapeuta Sergio Luiz Villasboas (SP). Segundo ele, as bolinhas relaxam as articulações, ativam a circulação sanguínea e beneficiam o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade e a fadiga.

Quando algo dá errado ou nos irrita, tudo o que mais queremos é ver um rosto amigo. E o desejo tem explicação científica: a imagem é recolhida pelos olhos e trabalhada no cérebro, onde atinge o sistema límbico, relacionado às emoções. "Lá, atua diminuindo os níveis de cortisol e adrenalina, que disparam o nervosismo e a ansiedade, e libera endorfinas que causam bem-estar, além da ocitocina, o hormônio do vínculo afetivo, responsável pelas sensações de acolhimento e afeto", explica Ricardo Monezi, especialista em medicina comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Portanto, experimente deixar a foto de uma pessoa querida na carteira, no celular ou sobre a mesa do escritório. A sensação de conforto é quase instantânea!

As flores são uma das mais belas expressões da natureza. Às vezes basta observá-las para nos sentirmos mais estimuladas. Mas o médico inglês Edward Bach foi além e descobriu em suas pesquisas, nos anos 1930, que elas possuem vibrações energéticas capazes de equilibrar as emoções negativas. Com base nesses estudos, o especialista criou 38 essências florais. São medicamentos naturais e que não causam dependência. "Como muitas vezes não identificamos a origem do nosso sofrimento, o ideal é consultar um especialista", diz Jorge Luiz Brandt, terapeuta floral (SC). No entanto, não há riscos de tomar por conta própria; nas farmácias especializadas existe uma tabela com as indicações de cada floral: o white chestnut traz tranquilidade, o elm reduz a pressão...

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O trágico fim de atrizes de Hollywood

O MUBE vai receber uma exposição incrível a partir do dia 5 desse mês de abril. Textos juntos com imagens vão falar do nascimento, sucesso e a morte de atrizes que tiveram seu momento de fama, mas com um fim trágico.

A exposição será composta com um vídeo de 30 minutos, quinze imagens com intervenções artísticas e 100 fichas técnicas dessas atrizes de Hollywood que foram do sucesso a ruína em poucos anos . Dolores Costello, atriz de Hollywood está entre as famosas retratadas na exposição


Quase 30% delas se suicidaram e quase todas tiveram envolvimento com drogas, álcool, doenças e depressão.

Criada pelas artistas Debora Hirsch e Iaia Filiberti, a pesquisa já virou livro e agora chega no MUBEAvenida Europa, 218 Jardim EuropaTerça a domingo, das 10h às 19hOs comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.


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Reiki nas mãos da ciência


O reiki, técnica de imposição de mãos com a qual se crê ser possível captar a energia do universo e transmiti-la para alguém, era visto com ceticismo pelos cientistas, que não conseguiam mensurar seus efeitos . "Como boa parte da medicina oriental, o método era desacreditado porque não havia instrumentos modernos nem muito interesse em avaliar suas consequências", diz o médico Paulo de Tarso Lima, de São Paulo.


Mas a evolução da tecnologia e o recente despertar da comunidade científica para um conceito mais abrangente de saúde - a meta é viver bem, e não somente curar males - fizeram o reiki ganhar a atenção dos pesquisadores. Na americana Universidade de Virginia, por exemplo, uma revisão sobre sua influência na contenção da dor em pacientes com câncer ressaltou os resultados positivos. "São necessários levantamentos adicionais para confirmar os achados, mas a princípio o reiki foi bastante eficiente na redução do incômodo", concluíram os autores.


Mas será que ele ajudaria a combater o tumor em si? Segundo um trabalho do psicobiólogo Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo, provavelmente sim. Ele aplicou o reiki em ratos e, na sequência, analisou suas células de defesa. "Em comparação com o grupo de controle, esses animais apresentaram um sistema imune mais agressivo contra a enfermidade. E nem precisamos falar que bichos não acreditam em reiki", ironiza. Verdade que o nosso organismo não é idêntico ao de roedores, contudo está aí um indicativo do poder da imposição de mãos.


Para testar o verdadeiro potencial da técnica no alívio da tensão, Monezi separou 25 idosos estressados para serem cuidados por terapeutas especializados em reiki. Outros 25 senhores na mesma situação receberiam, digamos, uma terapia falsa - os aplicadores simulavam os gestos e as posições das mãos, mas não haviam sido treinados e nem conheciam direito o reiki. Detalhe: nenhum dos participantes sabia da diferença entre os grupos. "Essa precaução evita que o placebo interfira nos dados encontrados, já que ambas as turmas imaginam estar recebendo reiki, quando somente uma está recebendo para valer", arremata Monezi.


Depois de oito sessões, Monezi analisou as estatísticas. Parece incrível, mas, embora todos os voluntários tenham relaxado, aqueles tratados por mestres de reiki relataram uma tranquilidade maior e duradoura. Além disso, os músculos da testa desse pessoal ficaram menos rígidos, outro sinal de que o nervosismo foi aplacado.


Alternativa ou integrativa?


O sucesso do reiki não justifica, sob nenhuma hipótese, seu uso no lugar da medicina tradicional. "O ideal é integrá-lo com abordagens convencionais", reforça Plínio Cutait, médico de São Paulo. Caso contrário, você corre o risco de não receber o tratamento adequado para um problema e, então, complicar-se sem necessidade. E isso, parece claro para todos, também está comprovado pela ciência.


Hipertensão


Apoiados em uma metodologia parecida com a de Monezi, investigadores da Universidade de Granada, na Espanha, notaram que sujeitos hipertensos atenuaram o quadro com sessões regulares de reiki. "Também há trabalhos com diabete, epilepsia, depressão...", conta Monezi. "É óbvio que precisamos de mais informações, porém, ao que tudo indica, a técnica provoca bem-estar em vários níveis", defende.


Chacras


Para explicar como o reiki funciona, certas teorias mencionam uma energia eletromagnética que seria canalizada pelos terapeutas. Outras sugerem que a física quântica estaria envolvida nesse fenômeno. Independentemente disso, o fato é que alguns pontos-chave do corpo, onde os cuidadores devem colocar as mãos durante uma sessão de reiki - os chacras -, coincidem com importantes glândulas. E talvez, só talvez, a energia atue nesses órgãos, ocasionando um equilíbrio geral.


As origens


Embora muita gente imagine diferente, o reiki é relativamente novo. Ele surgiu na década de 1920, quando o japonês Mikao Usui (1865-1926) passou 21 dias no Monte Kurama, em seu país, e, lá, teria entrado em contato com uma forma de energia misteriosa e criado um jeito de propagá-la a outros. A partir daí, Mikao Usui sistematizou o método e, junto com o médico Chujiro Hayashi (1880-1940), começou a ensiná-lo a vários alunos.


Energia e religião


Usar as mãos para emitir energia positiva não é um conceito exclusivo do reiki, que é uma terapia. A bênção cristã, o passe espírita e o johrei, entre outros rituais religiosos, também se valem desse preceito, apesar de terem filosofias bem diferentes. Há até quem especule que os milagres de Jesus seriam resultado de uma habilidade única de controlar a energia do Universo. Mas, entre tantas práticas com esse princípio, o reiki é uma das mais estudadas pela ciência.


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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dois filhos em um

 


Qual pai um dia não pensou desta maneira? Como seria bom se existisse um manual completo, que ensinasse e orientasse como ser pai em todas as etapas da vida dos filhos!


Por mais que existam livros, manuais, conselhos bem-intencionados, a grande verdade é que exercer a paternidade vai muito além de conselhos e teorias. Todos sabem que cabe a paternidade uma parcela de responsabilidade de cuidar, educar, proteger e preparar os filhos para o ingresso na sociedade


Mas as alma humana é muito complexa, e estamos bem longe de saber tudo o que esse ser mutante chamado Homem é capaz de fazer, querer e ser...


Meu menino, minha menina para sempre, eternamente, os dois serão meus.


Ainda no ventre, Leandro foi um filho esperado e amado. Na sua infância, seu sorriso doce e os cabelos cacheados não me indicavam qualquer tendência, era apenas uma criança, era apenas meu filho.


Com o passar dos anos e a chegada da adolescência, conheci, na intimidade e nos momentos que passamos juntos, seu jeito diferente ? a clara ausência de predileção por brincadeiras masculinas. Percebi interesse por assuntos ligados a arte e ao universo feminino


Por conta da minha formação familiar ter sido baseada em respeito, cresci em um ambiente livre e pude escolher jogar futebol e viver apenas com meus dons no campo. Como não tive o tão sonhado manual, ?Como Criar Filhos?, criei os meus igualmente livres também para suas escolhas, sem cobranças nem imposições.


Apesar de notar as diferenças, percebi também que nada poderia fazer, e tudo o que poderia dar a ela/ele era o meu amor incondicional, a segurança, o conforto e a certeza de que em qualquer circunstancia, por mais que longe, eu estaria sempre ao seu lado.


Em alguma entrevista, Lea disse que a única coisa que gostaria de ter aprendido no futebol eram as embaixadinhas(veja só!), e que até tentou aprender, mas não foi muito bem sucedida.


Sei que trabalho em um ambiente teoricamente machista, mas nunca houve influencia nem espaço para cobranças, apenas dei oportunidade de estar comigo caso quisesse.


Pode ser que eu tenha sido negligente como pai, mas não há motivos para frustações. Não podemos ser bons em tudo. E você, Lea T. Cerezo, sabe muito mais que embaixadinhas. Teve coragem de, elegantemente, tentar quebrar paradigmas e mostrar ao mundo que devemos aceitar, sim, as diferenças, ser tolerantes com a diversidade, entender e não julgar aquilo que não conhecemos. O caminho pode ser longo, mas certeza não será o mesmo depois de você.


A paternidade é livre de qualquer padrão, de qualquer critério imposto pelo sociedade, filho deve ser aceito na sua totalidade, na sua integral condição de vida, independentemente de sua orientação sexual.


Como diria o poeta Cazuza ?O tempo não para, não para, não para? e filho crescido não cabe mais aos pais educar. Sendo assim, aqui ou lá, torço por você, Lea.


Meu menino ou menina, Leandro ou Lea, não importa mais, sempre serei seu pai e você, orgulhosamente, um pedaço de mim

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Descubra qual terapia é ideal para você

 


Terapia é mais ou menos como massagem: para cada tipo de problema tem uma específica. Mas alto lá. Não se pode dizer que um tipo de terapia é melhor que a outra. "Da mesma forma que não podemos comparar um conto com um romance e dizer que um gênero é melhor do que o outro, não devemos também comparar as várias modalidades de psicoterapia. Elas são diferentes, apenas isso", explica a psicóloga Silvia Franchetti, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.


Tão importante quanto qualquer forma de medicina, a psicoterapia também visa o seu mais profundo bem-estar, com uma série de técnicas para tratar da saúde mental e emocional. Os tratamentos ajudam os pacientes a compreender melhor o que os deixa ansiosos ou insatisfeitos, e também a aceitar seus pontos positivos e negativos. Quando você consegue identificar seus sentimentos e formas de pensar, fica mais fácil lidar com as situações adversas. Aqui você descobre quais são as principais linhas e de que forma elas ajudam as pessoas. Encontre a sua para conseguir se encontrar.


Você está meio perdida. Tem dias que acorda sentindo-se o último biscoito recheado do pacote, gostosa e desejada por todos. Em outros é a última bolacha murcha do saquinho, aquela que se joga no lixo sem pena, sem dó. Seu caminho talvez seja deitar-se no divã do velho Freud. O objetivo da psicanálise não é resolver os problemas de ordem prática, mas oferecer autoconhecimento e exploração do inconsciente. "É indicada para pessoas maduras, sem problemas urgentes e desejosas de aprofundar o conhecimento de seu inconsciente", explica Ryad Simon, psicanalista da Universidade de São Paulo. Durante seus 50 anos de experiência, Ryad se especializou no tratamento de pessoas com dificuldades de adaptação e de personalidade, que precisam de um exame profundo do inconsciente para descobrir a origem do problema. A psicanálise não tem tempo de duração. Afinal, se a pessoa quer se conhecer melhor, deve fazer isso durante a vida toda. Podem ser realizadas de duas a cinco sessões por semana.


Que problemas ajuda a resolver: Sensação de não-adaptação, desvios de personalidade.


Você tem a sensação de que é uma farsa? É boazinha com todos, sendo que, muitas vezes, tem vontade de explodir feito um big bang. Se entope de trabalho e, na sua essência, quer uma casa no campo para compor muitos rocks rurais. A terapia junguiana - desenvolvida por Carl Jung, ovelha desgarrada dos seguidores de Freud - ajuda a pessoa a resgatar o que é próprio do seu temperamento e do qual ela foi se distanciando. À medida que a essência é recuperada, aparece de bônus a autoestima, o bem-estar, a confiança em si. A principal ferramenta para chegar ao inconsciente e descobrir o que a pessoa quer - muitas vezes nem ela mesma sabe - são os sonhos. Por isso eles são bastante explorados nas sessões. O número delas varia de acordo com o diagnóstico do paciente, e vai de uma a quatro por semana, no geral. Também não tem tempo determinado para acabar.


Que problemas ajuda a resolver: Timidez, fobias, depressão, síndrome do pânico, insegurança, nervosismo, ansiedade, agressividade.


Pois é, por mais que a gente tente se proteger com arruda na carteira, problemas acontecem e deixam sequelas. Pode ser a perda de um ente querido, um sequestro relâmpago... Traumas também podem ser causados por situações menos graves, como ser reprovado num teste. Coisas que deixam as pessoas paralisadas. Para lidar com esses casos, a mais indicada é a EMDR (eye movement desensitization and reprocessing, ou dessensibilização e reprocessamento por meio dos movimentos oculares). A técnica inclui realizar movimentos oculares - com a mente sempre no que está perturbando - e ouvir estalos de dedos feitos pelo terapeuta. Pode parecer meio esquisito, coisa de série policial americana, mas a EMDR é capaz de alterar a resposta cerebral ao stress pós-traumático. "A duração varia conforme o problema. Por exemplo, se alguém sofreu um acidente de carro e tem dificuldades em dirigir, trata-se de um trauma isolado que se resolve em poucas sessões. Mas, se isso está conectado com outros episódios na vida, pode demorar mais", diz a psicóloga Silvana Faria, especializada em EMDR.


Que problemas ajuda a resolver: Stress pós-traumático causado por estupro, assalto, sequestro, desavenças, luto.


Se você acredita nessa frase, a gestalt provavelmente é o tipo de psicoterapia mais indicado. Você não abre a boca durante uma reunião de trabalho porque era reprimida na escola. Faz sentido. Mas a solução não está no passado, e sim no presente, em agir em vez de criar teorias. A segunda ideia central é que a pessoa está enredada em uma teia de relacionamento com todas as coisas. Só podemos nos conhecer com relação a elas. Durante as sessões, o terapeuta pode pedir ao paciente que visualize um acontecimento, como ele se sentiu e até reviver diálogos. Isso ajuda a ter um panorama mais claro. Lida também com sintomas. Por que será que a dor de cabeça aparece sempre que seu marido quer transar?


Que problemas ajuda a resolver: Transtornos de humor, alimentares, ansiedade, compulsões, vício em droga, esquizofrenia.


Autoestima no pé, medo da solidão como o vampiro tem de alho, dificuldade em se afirmar... Durante muito tempo acreditou-se que tudo isso era culpa dos pais. Hoje já se sabe que não é bem assim, mas eles também não são totalmente inocentes, nem os irmãos, o marido, a cunhada. A terapia familiar sistêmica foca nas interações entre as pessoas mais próximas. Por exemplo, o terapeuta usa a técnica para descobrir por que a paciente está tão incomodada com as notas baixas do filho na escola. Será que era subestimada quando ela própria entregava o boletim em casa? "O principal diferencial dessa terapia é a parte prática. À medida que o paciente evolui, o terapeuta dá tarefas para que ele execute fora das sessões", explica a psicóloga Lana Harari, de São Paulo. O tratamento pode levar de alguns meses a alguns anos.


Que problemas ajuda a resolver: Baixa autoestima, insegurança, conflitos familiares.


Eu nunca vou conseguir... passar naquele concurso público, perder 7 kg, arrumar um namorado, e por aí vai. Mas não vai conseguir por quê? Essa é a pergunta que a terapia cognitiva tenta responder. "Ela ajuda as pessoas a perceberem as distorções ou crenças que têm sobre si mesmas, sobre as outras pessoas, sobre o mundo, sobre o futuro", diz Bernard Range, professor de pós-graduação em psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em resumo, o terapeuta cognitivo trabalha com o paciente desafiando as crenças negativas que ele tem sobre si mesmo. Se essa falha de percepção for corrigida, então seu estado melhora. "Por que você acha que não consegue emagrecer? Não merece sentir-se magra. Ou tem alguma vantagem de estar acima do peso" são o tipo de questionamentos que ele costuma fazer. O tratamento dura até seis meses. Dentro da terapia cognitiva, há a cognitivo- comportamental. "Ela trabalha com tarefas feitas entre as consultas, que contribuem para o êxito do trabalho", explica a psicóloga Ângela Leggerini de Figueiredo, de São Paulo.


Que problemas ajuda a resolver: Transtornos de humor, alimentares, ansiedade, compulsões, esquizofrenia, vício em droga.


Vinte minutos para o dentista, 12 para trocar o esmalte, sete para abastecer e algumas sessões para descobrir por que sua colega conseguiu a promoção que deveria ser sua. Esse é um caso para psicoterapia breve, normalmente de curta duração, uma forma de resolver problemas mais específicos e pontuais ou para sair de uma crise emocional aguda. Em um número reduzido de sessões, o terapeuta conhece o paciente e investiga vários aspectos de sua vida e personalidade. "Um dos principais fatores que agilizam a solução do problema é o fato de a terapia ter prazo para terminar. Mesmo na vida cotidiana, os prazos aceleram os processos", explica a psicóloga Silvia Franchetti, da Unicamp. Esse tipo de terapia só é eficiente se a pessoa estiver bastante motivada, com vontade de mudar. A duração média do tratamento é de seis meses, embora em algumas vezes não passe de 12 sessões.


Que problemas ajuda a resolver: Fobia social, depressão, transtornos alimentares, uso de drogas, baixa motivação.


Então, que tal encenar uma peça? Por meio do psicodrama trata-se qualquer problema com técnicas de dramatização das situações de conflito. Podem ser eventos do passado, do presente ou do futuro. É possível reviver uma situação que causou dor e resolvê-la ou encenar algo que está por vir e causa ansiedade. É também uma chance de interpretar papéis - você como chefe, esposa, mãe - com segurança para ver como se sente. Muitas vezes o trabalho pode ser feito em grupo, e o terapeuta age como um diretor. O método não é indicado para pessoas que preferem ficar sentadas, falando, ou que têm vergonha extrema de se expor.


Que problemas ajuda a resolver: Desordens sexuais, fobias, traumas, abuso de drogas, problemas de relacionamento.


Fazer psicoterapia juntamente com outras pessoas é uma possibilidade
A terapia em grupo já esteve mais em moda no Brasil. Hoje, não são tantos os participantes, mas ainda assim tem seus adeptos. O terapeuta pode escolher uma linha específica, como o psicodrama, ou mesclar várias. Ele sempre vai funcionar como um mediador. Normalmente o grupo é formado por seis a 12 pacientes, que podem estar reunidos ou não em torno de um problema comum. A maioria das pessoas se sente meio esquisita, no começo, em falar sobre elas mesmas para um grupo estranho, mas com o tempo isso vai sendo desfeito. Cada pessoa assume um papel no grupo: a falante, a tímida, a questionadora... Vira um grande Big Brother, só que sem câmeras. As principais vantagens são econômicas - rachar a conta não é uma má ideia, certo? - e de relacionamento, porque, além do terapeuta, outras pessoas também podem contribuir para o processo de autoconhecimento.


· Preocupa-se o tempo todo com alguma coisa ou com tudo e não consegue achar uma resposta.


· Sofre da síndrome de Hardy (lembra-se da hiena do desenho "Ó vida, ó azar...") e não consegue parar com os comportamentos ou pensamentos negativos.


· Tem constantes flashbacks de experiências traumáticas.


· Está se sentindo irritada ou nervosa por um longo período.


· Sente-se deprimida ou ansiosa por mais de duas semanas.


· Os problemas ou pensamentos afetam seu sono ou habilidade de relaxar.


· Nota mudanças nos hábitos alimentares, consumo de álcool ou uso de drogas para tentar reduzir seus problemas.


· Sente falta de alguém para falar sobre seus problemas pessoais.


· Está passando por uma fase nova com a qual está sendo difícil de se adaptar, como a maternidade, mudança de emprego.


· Está insatisfeita sexualmente.

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André - Gostaria de ressaltar que não devemos reduzir as possibilidades de tratamento psicoterápicos de acordo com "sintomas" específicos. Muitas das abordagens citadas podem ser indicadas para os vários tipos de transtornos/sintomas/fenômenos existenciais referidos. Obrigado. - 04/04/2013 18:27:01


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Vício: a doença da nossa era

 


Beber e se divertir em excesso, apostar alto, navegar na Internet, fazer sexo, comer e comprar além do necessário. A lista de compulsões não para de crescer em nossa sociedade, em que o prazer intenso e instantâneo é valorizado. Saiba como se proteger:


Passar horas no computador libera dopamina (um neurotransmissor) e ativa os mesmos circuitos cerebrais que as drogas. Esse neuro-hormônio que integra o sistema de recompensa estimula a repetição de ações vitais, como comer, fazer sexo e se abrigar do frio. O circuito media também outras relações com o prazer, como ouvir música e tomar uma taça de vinho. Certos casos acabam em dependência, segundo esta explicação: a dopamina faz com que se associe o estímulo externo (usar drogas, apostar em jogos, atacar a geladeira) a um bem-estar extremo. Predisposição genética, fatores socioculturais ou transtornos psiquiátricos podem levar à liberação do neurotransmissor em maior quantidade. Na repetição seguida do uso da substância psicoativa ou do comportamento, a ação da dopamina se esgota. A pessoa se sente mal e precisa recorrer com maior frequência ao estímulo externo para manter os níveis do neuro-hormônio no sistema.


Estudos confrontam a dependência química com a causada por apostas em cavalo, carteado, jogos virtuais, máquinas de bingo e caça-níqueis. Segundo o psiquiatra Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório do Jogo do Instituto de Psiquiatria da USP, o sinal de que a atividade deixou de ser lazer para se tornar problema é jogar para recuperar o dinheiro gasto nas apostas anteriores ou para afogar as mágoas e aliviar as angústias. Essas justificativas são apresentadas, sobretudo, pelas mulheres, as principais vítimas entre os 4% da população brasileira que está envolvida com jogos.


Motivos semelhantes levam as mulheres a tentar resolver a solidão e o abandono por meio de compras compulsivas: 80% dos dependentes pertencem ao sexo feminino. ?Abusos como estourar o cartão de crédito e adquirir supérfluos ocorrem quando estão mais deprimidas ou ansiosas?, diz Daniel Spritzer. Durante a compra, experimentam uma sensação de excitação semelhante à vivida pelos usuários de drogas. Apesar dos prejuízos financeiros e do arrependimento, elas não conseguem resistir ao novo impulso para gastar mais. Comprar uma coisinha qualquer é como o primeiro gole para o alcoólico.


No caso da compulsão por exercício físico, a vigorexia, os rapazes são os protagonistas. Eles exageram nos treinos para ficar sarados, ignorando as advertências de treinadores. O sexo masculino também abusa mais do corpo e da mente no quesito trabalho. Para os workaholics, o trabalho assume tamanha importância que eles não conseguem estabelecer relacionamentos de qualidade, ir ao cinema, passear, viajar.


O descontrole e a culpa são características dos comportamentos compulsivos. Loucos por comida, por exemplo, apresentam pelo menos dois episódios de assalto à geladeira por semana. ?Nada escapa, nem pratos congelados. Eles comem sozinhos, rapidamente, em grande quantidade, sem sentir fome?, descreve o psiquiatra Táki Cordás, coordenador-geral do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria da USP. Depois, sentem-se culpados e podem adotar medidas drásticas para evitar ganho de peso, como provocar o vômito ou recorrer a laxantes e diuréticos, o que configura a bulimia nervosa.


O arrependimento é maior quando a compulsão se dá por ações mais condenadas socialmente, como a cleptomania (impulso para furtar objetos, geralmente de baixo valor) e a dependência de sexo (superexposição e seleção inadequada de parceiros). Esta última passa a ser a única forma de estabelecer contato humano.


Para dar a volta por cima, é necessário reconhecer o custo da dependência (conflitos no trabalho, na família, rombos no orçamento), sem falar nas questões éticas, já que se mente para ocultar os excessos. O objetivo pode ser alcançado por meio de psicoterapia. Medicamentos são prescritos em casos severos de impulsividade; para alguns dependentes de álcool; e quando há depressão e transtornos psiquiátricos associados. A psiquiatra Maria Thereza de Aquino recomenda procurar auxílio especializado: ?Ninguém se livra sozinho. É fundamental o apoio do outro para administrar o vazio interior e reconstituir a vida?.


Nas dependências químicas ou comportamentais ocorrem:
Tolerância
Com o tempo, é preciso maior exposição para obter a mesma sensação prazerosa do início. No caso da bebida, aumentar as doses; no do jogo, subir o valor das apostas ou dedicar mais tempo à atividade.


Relevância
A droga - ou a ação compulsiva - passa a ser a coisa mais importante, fonte exclusiva de prazer.


Abstinência
Ao ser privada da substância química ou abandonar o comportamento, a pessoa sente irritação, inquietação, tremores, suor frio.


Recaída
Está ligada à vontade incontrolável de usar a droga ou de repetir o comportamento após a abstinência. Mesmo depois de uma ou mais recaídas, é possível superar a dependência.

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