quarta-feira, 10 de abril de 2013

Descubra qual terapia é ideal para você

 


Terapia é mais ou menos como massagem: para cada tipo de problema tem uma específica. Mas alto lá. Não se pode dizer que um tipo de terapia é melhor que a outra. "Da mesma forma que não podemos comparar um conto com um romance e dizer que um gênero é melhor do que o outro, não devemos também comparar as várias modalidades de psicoterapia. Elas são diferentes, apenas isso", explica a psicóloga Silvia Franchetti, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.


Tão importante quanto qualquer forma de medicina, a psicoterapia também visa o seu mais profundo bem-estar, com uma série de técnicas para tratar da saúde mental e emocional. Os tratamentos ajudam os pacientes a compreender melhor o que os deixa ansiosos ou insatisfeitos, e também a aceitar seus pontos positivos e negativos. Quando você consegue identificar seus sentimentos e formas de pensar, fica mais fácil lidar com as situações adversas. Aqui você descobre quais são as principais linhas e de que forma elas ajudam as pessoas. Encontre a sua para conseguir se encontrar.


Você está meio perdida. Tem dias que acorda sentindo-se o último biscoito recheado do pacote, gostosa e desejada por todos. Em outros é a última bolacha murcha do saquinho, aquela que se joga no lixo sem pena, sem dó. Seu caminho talvez seja deitar-se no divã do velho Freud. O objetivo da psicanálise não é resolver os problemas de ordem prática, mas oferecer autoconhecimento e exploração do inconsciente. "É indicada para pessoas maduras, sem problemas urgentes e desejosas de aprofundar o conhecimento de seu inconsciente", explica Ryad Simon, psicanalista da Universidade de São Paulo. Durante seus 50 anos de experiência, Ryad se especializou no tratamento de pessoas com dificuldades de adaptação e de personalidade, que precisam de um exame profundo do inconsciente para descobrir a origem do problema. A psicanálise não tem tempo de duração. Afinal, se a pessoa quer se conhecer melhor, deve fazer isso durante a vida toda. Podem ser realizadas de duas a cinco sessões por semana.


Que problemas ajuda a resolver: Sensação de não-adaptação, desvios de personalidade.


Você tem a sensação de que é uma farsa? É boazinha com todos, sendo que, muitas vezes, tem vontade de explodir feito um big bang. Se entope de trabalho e, na sua essência, quer uma casa no campo para compor muitos rocks rurais. A terapia junguiana - desenvolvida por Carl Jung, ovelha desgarrada dos seguidores de Freud - ajuda a pessoa a resgatar o que é próprio do seu temperamento e do qual ela foi se distanciando. À medida que a essência é recuperada, aparece de bônus a autoestima, o bem-estar, a confiança em si. A principal ferramenta para chegar ao inconsciente e descobrir o que a pessoa quer - muitas vezes nem ela mesma sabe - são os sonhos. Por isso eles são bastante explorados nas sessões. O número delas varia de acordo com o diagnóstico do paciente, e vai de uma a quatro por semana, no geral. Também não tem tempo determinado para acabar.


Que problemas ajuda a resolver: Timidez, fobias, depressão, síndrome do pânico, insegurança, nervosismo, ansiedade, agressividade.


Pois é, por mais que a gente tente se proteger com arruda na carteira, problemas acontecem e deixam sequelas. Pode ser a perda de um ente querido, um sequestro relâmpago... Traumas também podem ser causados por situações menos graves, como ser reprovado num teste. Coisas que deixam as pessoas paralisadas. Para lidar com esses casos, a mais indicada é a EMDR (eye movement desensitization and reprocessing, ou dessensibilização e reprocessamento por meio dos movimentos oculares). A técnica inclui realizar movimentos oculares - com a mente sempre no que está perturbando - e ouvir estalos de dedos feitos pelo terapeuta. Pode parecer meio esquisito, coisa de série policial americana, mas a EMDR é capaz de alterar a resposta cerebral ao stress pós-traumático. "A duração varia conforme o problema. Por exemplo, se alguém sofreu um acidente de carro e tem dificuldades em dirigir, trata-se de um trauma isolado que se resolve em poucas sessões. Mas, se isso está conectado com outros episódios na vida, pode demorar mais", diz a psicóloga Silvana Faria, especializada em EMDR.


Que problemas ajuda a resolver: Stress pós-traumático causado por estupro, assalto, sequestro, desavenças, luto.


Se você acredita nessa frase, a gestalt provavelmente é o tipo de psicoterapia mais indicado. Você não abre a boca durante uma reunião de trabalho porque era reprimida na escola. Faz sentido. Mas a solução não está no passado, e sim no presente, em agir em vez de criar teorias. A segunda ideia central é que a pessoa está enredada em uma teia de relacionamento com todas as coisas. Só podemos nos conhecer com relação a elas. Durante as sessões, o terapeuta pode pedir ao paciente que visualize um acontecimento, como ele se sentiu e até reviver diálogos. Isso ajuda a ter um panorama mais claro. Lida também com sintomas. Por que será que a dor de cabeça aparece sempre que seu marido quer transar?


Que problemas ajuda a resolver: Transtornos de humor, alimentares, ansiedade, compulsões, vício em droga, esquizofrenia.


Autoestima no pé, medo da solidão como o vampiro tem de alho, dificuldade em se afirmar... Durante muito tempo acreditou-se que tudo isso era culpa dos pais. Hoje já se sabe que não é bem assim, mas eles também não são totalmente inocentes, nem os irmãos, o marido, a cunhada. A terapia familiar sistêmica foca nas interações entre as pessoas mais próximas. Por exemplo, o terapeuta usa a técnica para descobrir por que a paciente está tão incomodada com as notas baixas do filho na escola. Será que era subestimada quando ela própria entregava o boletim em casa? "O principal diferencial dessa terapia é a parte prática. À medida que o paciente evolui, o terapeuta dá tarefas para que ele execute fora das sessões", explica a psicóloga Lana Harari, de São Paulo. O tratamento pode levar de alguns meses a alguns anos.


Que problemas ajuda a resolver: Baixa autoestima, insegurança, conflitos familiares.


Eu nunca vou conseguir... passar naquele concurso público, perder 7 kg, arrumar um namorado, e por aí vai. Mas não vai conseguir por quê? Essa é a pergunta que a terapia cognitiva tenta responder. "Ela ajuda as pessoas a perceberem as distorções ou crenças que têm sobre si mesmas, sobre as outras pessoas, sobre o mundo, sobre o futuro", diz Bernard Range, professor de pós-graduação em psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em resumo, o terapeuta cognitivo trabalha com o paciente desafiando as crenças negativas que ele tem sobre si mesmo. Se essa falha de percepção for corrigida, então seu estado melhora. "Por que você acha que não consegue emagrecer? Não merece sentir-se magra. Ou tem alguma vantagem de estar acima do peso" são o tipo de questionamentos que ele costuma fazer. O tratamento dura até seis meses. Dentro da terapia cognitiva, há a cognitivo- comportamental. "Ela trabalha com tarefas feitas entre as consultas, que contribuem para o êxito do trabalho", explica a psicóloga Ângela Leggerini de Figueiredo, de São Paulo.


Que problemas ajuda a resolver: Transtornos de humor, alimentares, ansiedade, compulsões, esquizofrenia, vício em droga.


Vinte minutos para o dentista, 12 para trocar o esmalte, sete para abastecer e algumas sessões para descobrir por que sua colega conseguiu a promoção que deveria ser sua. Esse é um caso para psicoterapia breve, normalmente de curta duração, uma forma de resolver problemas mais específicos e pontuais ou para sair de uma crise emocional aguda. Em um número reduzido de sessões, o terapeuta conhece o paciente e investiga vários aspectos de sua vida e personalidade. "Um dos principais fatores que agilizam a solução do problema é o fato de a terapia ter prazo para terminar. Mesmo na vida cotidiana, os prazos aceleram os processos", explica a psicóloga Silvia Franchetti, da Unicamp. Esse tipo de terapia só é eficiente se a pessoa estiver bastante motivada, com vontade de mudar. A duração média do tratamento é de seis meses, embora em algumas vezes não passe de 12 sessões.


Que problemas ajuda a resolver: Fobia social, depressão, transtornos alimentares, uso de drogas, baixa motivação.


Então, que tal encenar uma peça? Por meio do psicodrama trata-se qualquer problema com técnicas de dramatização das situações de conflito. Podem ser eventos do passado, do presente ou do futuro. É possível reviver uma situação que causou dor e resolvê-la ou encenar algo que está por vir e causa ansiedade. É também uma chance de interpretar papéis - você como chefe, esposa, mãe - com segurança para ver como se sente. Muitas vezes o trabalho pode ser feito em grupo, e o terapeuta age como um diretor. O método não é indicado para pessoas que preferem ficar sentadas, falando, ou que têm vergonha extrema de se expor.


Que problemas ajuda a resolver: Desordens sexuais, fobias, traumas, abuso de drogas, problemas de relacionamento.


Fazer psicoterapia juntamente com outras pessoas é uma possibilidade
A terapia em grupo já esteve mais em moda no Brasil. Hoje, não são tantos os participantes, mas ainda assim tem seus adeptos. O terapeuta pode escolher uma linha específica, como o psicodrama, ou mesclar várias. Ele sempre vai funcionar como um mediador. Normalmente o grupo é formado por seis a 12 pacientes, que podem estar reunidos ou não em torno de um problema comum. A maioria das pessoas se sente meio esquisita, no começo, em falar sobre elas mesmas para um grupo estranho, mas com o tempo isso vai sendo desfeito. Cada pessoa assume um papel no grupo: a falante, a tímida, a questionadora... Vira um grande Big Brother, só que sem câmeras. As principais vantagens são econômicas - rachar a conta não é uma má ideia, certo? - e de relacionamento, porque, além do terapeuta, outras pessoas também podem contribuir para o processo de autoconhecimento.


· Preocupa-se o tempo todo com alguma coisa ou com tudo e não consegue achar uma resposta.


· Sofre da síndrome de Hardy (lembra-se da hiena do desenho "Ó vida, ó azar...") e não consegue parar com os comportamentos ou pensamentos negativos.


· Tem constantes flashbacks de experiências traumáticas.


· Está se sentindo irritada ou nervosa por um longo período.


· Sente-se deprimida ou ansiosa por mais de duas semanas.


· Os problemas ou pensamentos afetam seu sono ou habilidade de relaxar.


· Nota mudanças nos hábitos alimentares, consumo de álcool ou uso de drogas para tentar reduzir seus problemas.


· Sente falta de alguém para falar sobre seus problemas pessoais.


· Está passando por uma fase nova com a qual está sendo difícil de se adaptar, como a maternidade, mudança de emprego.


· Está insatisfeita sexualmente.

Os comentários são pessoais e não refletem a opinião do MdeMulher.

André - Gostaria de ressaltar que não devemos reduzir as possibilidades de tratamento psicoterápicos de acordo com "sintomas" específicos. Muitas das abordagens citadas podem ser indicadas para os vários tipos de transtornos/sintomas/fenômenos existenciais referidos. Obrigado. - 04/04/2013 18:27:01


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